Informações - Nota Fiscal Eletrônica

   Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Até setembro, 54 grupos aderem à nota eletrônica

Sistema irá incluir ramos como os de indústria química e de atacadistas

ANDRÉ LOBATO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


A NF-e (nota fiscal eletrônica) será obrigatória para 54 tipos de empreendimento a partir de setembro. Ela já é usada em 24,6 mil estabelecimentos para transações entre empresas e não altera o relacionamento com pessoas físicas.


Entre os setores de atuação que têm cerca de quatro meses para abandonar o recibo de papel estão as concessionárias de veículos novos, os atacadistas e os fabricantes associados às indústrias química, farmacêutica, de café e de produtos de origem animal.


Desde setembro de 2007 (quando voluntários começaram a usar o sistema) até março deste ano, foram emitidos mais de R$ 2 trilhões em NF-e.


"Até abril de 2008, a adesão era voluntária, e existiam cerca de 5 milhões de notas eletrônicas. Naquele mês, os segmentos de automóveis e cigarros foram os primeiros a serem obrigados", aponta Eudaldo Almeida de Jesus, coordenador-geral do Encat, entidade de administradores tributários estaduais que liderou o projeto da NF-e.


A expectativa da Receita Federal é que, até 2010, 70% de todo o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) seja declarado eletronicamente, diz.



On-line


Enquanto a nota de papel requer quatro vias, a eletrônica é um arquivo digital.


Criada no computador da empresa, ela é transmitida on-line para a Secretaria da Fazenda do Estado do emissor.


O sistema envia uma cópia da nota para o registro nacional e outra para a Secretaria da Fazenda do Estado de destino.


A única parte em papel da transação é o Danfe (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), que acompanha a mercadoria e serve de nota fiscal se o comprador não tem o sistema eletrônico.


Reinaldo Mendes, da Easyway Brasil, que desenvolve programas para administração de tributos, afirma que o sistema é benéfico às firmas. "[Ele] reduz custos e automatiza."


Mendes ressalta, no entanto, que é preciso ter organizados os dados dos clientes e os dos produtos a serem vendidos pelo sistema digital.


NA INTERNET - Veja o calendário de implantação da NF-e em www.nfe.fazenda.gov.br, no link "perguntas frequentes"



Atraso gerou problemas com cliente


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA



Enquanto traz algumas vantagens, a implantação da Nota Fiscal Paulista, que é um modelo estadual de nota eletrônica, não vem sem dificuldades, mesmo para firmas com mais experiência.


Esse foi o caso da Lenny, que vende moda de praia com alto valor agregado.


"No começo, foi meio turbulento, mas depois a gente pegou o ritmo", afirma Ícaro Damaceno, assistente administrativo-financeiro da companhia.


Ele conta que a pior etapa da implantação foi obter a autorização da Secretaria da Fazenda para que a empresa emitisse a nota fiscal eletrônica. "Começamos [o processo] em maio, mas só conseguimos o login em dezembro", relata. Ele emitia as notas, mas não as enviava à Secretaria da Fazenda.


Segundo Damaceno, os arquivos enviados fora do prazo de vencimento não eram aceitos. Ele conta que a demora para resolver o problema gerou desconforto com um de seus clientes, que comprara uma grande quantidade de peças. "Ele declarou [a compra] e nós ainda não tínhamos [declarado a venda]." Os arquivos foram enviados depois, mas não houve multa, diz.



RECIBO VIRTUAL
Preços e informática devem ser ponderados


Custo de troca chega a R$ 10 mil para pequenas, segundo consultor


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


O maior desafio para as micro e as pequenas empresas que terão de implantar a NF-e (nota fiscal eletrônica) é preparar o sistema de computador para funcionar corretamente.

O programa usado para preenchimento e transmissão das notas, oferecido gratuitamente no site da NF-e (www.nfe.fazenda.gov.br), deve ser instalado em um computador da empresa.


O diretor tributário da Confirp Contabilidade, Welinton Mota, destaca que são necessárias alterações nos sistemas de informática que a firma já tem.


"[É possível ter de] mandar ajustar o programa de faturamento para emitir as notas em forma de arquivos. [Dependendo da escala,] são até 15 dias de trabalho", explica.


Segundo ele, empresas que emitem mais de 15 notas por dia devem buscar um programa específico que gere as notas automaticamente, a partir do cadastro dos clientes.


Uma opção para os empresários é emitir até 50 notas e enviá-las à Secretaria da Fazenda de uma vez, sugere Mota.


O presidente da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores), Carlos Eduardo Severini, acrescenta que a mudança exige investimento em computadores.


"Os menores têm dificuldades para implantar e adequar os sistemas. Recomendamos fazer um investimento para atualização [das máquinas]."


Além disso, a nota eletrônica não pode ser cancelada com a mesma facilidade que a de papel, o que exige uma mudança cultural. "Por isso, é necessário se adequar o quanto antes", diz Wagner Oliveira, sócio-diretor da Versifico Web Solutions.



Contingência


Se o empresário já possui um programa que gera notas fiscais, além de baixar o programa da Fazenda, deve apenas adquirir uma assinatura digital, que verifica a integridade e a autoria de um arquivo eletrônico.


A média de preço do cartão com uma assinatura válida por três anos é de R$ 400, incluindo leitora eletrônica, segundo o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.


Wagner Oliveira recomenda, entretanto, que as empresas comprem a assinatura digital com validade de um ano. "Não é necessário digitar uma senha a cada nota, como no caso da que tem validade maior". O custo é de cerca de R$ 250.


Segundo ele, as pequenas e as médias empresas têm investido uma média de R$ 10 mil para implementar o uso da NF-e.


"É importante ver o tipo de negócio. Quem necessita enviar notas com velocidade pode precisar de um sistema de contingência, com dois provedores. Já quem não tem tanta urgência pode contar com uma alternativa [para emergências], como uma internet de celular."


Ele lembra também que a quantidade de itens em cada declaração deve ser observada ao se considerar um sistema mais sofisticado.



Empresário conta gasto de R$ 6.000

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


João Batista Rodrigues Moreno, 53, sócio da Supersteel, distribuidora de material para resistência elétrica, emite notas eletronicamente desde abril e calcula ter feito um investimento de R$ 6.000 na troca.


Ele afirma que só o novo sistema custou metade desse valor. Contabiliza ainda as notas de papel que comprou neste ano e não irá usar -mais R$ 3.000. "Só o certificado [para emitir eletronicamente] custou R$ 550."


"Não consegui resolver detalhes como o vencimento de duplicatas, [cuja opção] não aparece no programa. Escrevo os vencimentos a lápis na nota [Danfe]", conta



A NF-E

O que é


Um arquivo digital que substitui notas ficais dos tipos 1 e 1-A, de comércio entre empresas. A partir da conversão, livros contábeis e fiscais deixam de existir


Como funciona


Após a venda, a empresa gera a nota em um programa de computador. Com o programa baixado no site do Ministério da Fazenda, envia dados à Secretaria da Fazenda de seu Estado.


Após receber autorização, a empresa vendedora envia a mercadoria e o arquivo contendo as notas fiscais para o cliente, que as confere no site da Secretaria da Fazenda de seu Estado


Obrigatoriedade


Desde abril de 2008, várias cadeias produtivas, como a automobilística, a do fumo e a de combustíveis, estão sendo obrigadas a aderir à NF-e. Qualquer empresa pode aderir voluntariamente -mas, após a opção, não se pode voltar a emitir notas de papel


Como implementar


O empresário deve buscar a Secretaria da Fazenda de seu Estado. Será necessário o registro de assinatura digital para validar transações


O papel acaba?


Quase totalmente. Passa a ser exigida só uma guia, a Danfe (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), para acompanhar a mercadoria. Se o destinatário não tem NF-e, a Danfe substitui a nota de papel


Fonte: Ministério da Fazenda / Folha de São Paulo - Negócios / 19 de abril de 2009.



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